quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Gandhi di Job, Aga Khan e chover no molhado...




Tivemos nesse domingo passado a disputa, no Hipódromo de Maroñas - Uruguay, da mais importante carreira em pista de areia do hemisfério sul, o Grande Prêmio José Pedro Ramírez em 2400 metros, onde o excepcional arenático brasileiro Gandhi di Job se sagrou bicampeão nessa prova com outra vitória incontestável. Aproveitamos a proximidade desse evento para estudarmos seu resultado e pensarmos a questão inbreeding e outcross no élevage do cavalo de puro sangue de corrida, mas não para querer provar ou sustentar qualquer superioridade de um método sobre o outro, mas sim como mais um elemento de observação e análise. O nosso entendimento é que ambas estratégias de cruzamento são ferramentas que podem e devem ser utilizadas em seus momentos apropriados e cada qual apresenta seus ônus e bônus.




Ao vermos o pedigree de Gandhi di Job poderíamos, a princípio, pensarmos que a sua vitória ratifica o pensamento de que inbreeding é o único caminho correto e aceitável a ser seguido na criação do PSI, já que ele é um 4 x 4 sobre Hoist The Flag e 4 x 5 sobre Northern Dancer.

Mas ao levantarmos os pedigrees de todos os demais concorrentes dessa prova é possível observar:

2 - El Abanderado = Northern Dancer 4 x 5 e Nearctic 5 x 5,
3 - Oggigiorno = Bold Ruler 4 x 5,
4 - Legion Cat = Nijinsky 4 x 4 e Northern Dancer 4 x 4 x 5 x 5,
5 - Ben Hur = Northern Dancer 4 x 5,
6 - Gauche = Blushing Groom 3 x 4,
7 - Robinson Crusoe = Northern Dancer 4 x 5,
8 - Babyku = Outcross,
9 - Monje Negro = Outcross,
10 - Sub Mambo = Outcross,
11 - Reality Bites = Northern Dancer 5 x 5,
12 - Piscos Our = Northern Dancer 4 x 5,
13 - Like Desire = Northern Dancer 4 x 5,
14 - Descocado = Blushing Groom 3 x 4, Northern Dancer 4 x 5 e Desalmada 4 x 5,
15 - El Conde Juan = Northern Dancer 4 x 5,
16 - Old Bunch = Outcross.


Percentualmente encontramos nesse campo do Ramírez 75,00% de animais com qualquer tipo de inbreeding, 12, contra 25,00% de animais outcross, 4, o que representa uma proporção de 3 para 1, margem de magnitude avassaladora para iniciar qualquer tipo de comparação estatística. A hipótese da superioridade do inbreeding sobre o outcross, apenas considerando número de vitórias, sem confrontar outras variáveis, principalmente a enorme diferença quantitativa entre os nascimentos desses distintos tipos de cruzamento, parece ser uma interpretação simplista do todo e a insistência de seus defensores um eterno “chover no molhado”. Na seleção do PSI a busca é a de se procurar cruzar o melhor com o melhor, o que não quer dizer que a matriz tenha que ser necessariamente uma corredora de nível clássico ou semi-clássico, mas sim filha e neta de bons pais e com as 3 primeiras mães em pleno vigor na produção de bons elementos, e sempre considerando como aspecto inegociável questões de saúde e sua possível hereditariedade, com o objetivo de se tentar minimizar ao máximo a possibilidade do surgimento de problemas que venham afetar a vida útil do indivíduo que se busca obter. 




                  Metodologia de cruzamentos na criação Aga Khan


A escolha das coberturas da criação Aga Khan segue a seguinte sistemática: Existe um Conselho Técnico formado por seus treinadores, esses com conhecimento do comportamento em pista de cada animal que esteve sob sua supervisão e veterinários que conhecem o histórico de saúde dos animais e das linhagens à disposição, a equipe dessa forma compreende de forma clara qual o tipo, as características e a natureza da matéria-prima a seu dispor e decide em primeira instância a seleção dos garanhões para cada égua, sempre observando a regra de se buscar preferencialmente cruzamentos OUTCROSS, eventualmente é aceita uma proximidade máxima de consanguinidade 4 x 4, mas sendo essa somente sobre um individuo, cruzamentos 4 x 5 e 5 x 5 são também admitidos, mas sobre um máximo de dois animais; cada opção é então estudada para confirmar se atende os requisitos de dosagem estipulados dentro da criação Aga Khan, a principal atenção é quanto a não perda de parâmetros relativos a velocidade, principalmente a privilegiando por linha paterna, os resultados que indicam os melhores cruzamentos são, então, submetidos ao crivo de S.A. Aga Khan, que decide pessoalmente todos os serviços de sua criação e de sua filha, Princesse Zahra Aga Khan. Outra característica básica na seleção Aga Khan é a do contínuo descarte de éguas-matrizes, com o propósito de prevenir a exacerbação da consanguinidade no plantel.

Mas ao fim de tudo O MAIS IMPORTANTE foi a vitória do brasileiro Gandhi di Job, que com suas 6 primeiras mães também brasileiras e sendo filho/neto materno de garanhões nacionais nos deixa claro que é possível obter excelentes corredores mesmo com pedigrees supostamente "fora de moda", conforme é apregoado pelos vendedores de cavalos estrangeiros, que com o argumento de necessária modernidade conseguem manter ativo bom mercado de garanhões no Brasil para um tipo de animal com difícil aceitação em turfes de melhor qualidade técnica. O desprezo aos elementos nacionais de muito superior categoria apenas por serem brasileiros infelizmente é cultural e fortemente arraigado em nossa criação, Gandhi di Job nos dá a certeza de que o nosso bom cavalo de pistas é perfeitamente viável como garanhão e avô materno, basta que a criação nacional ofereça a eles boas condições de trabalho. O nosso pensamento de criação não é em absoluto xenófobo e sempre consideraremos bem vindos para ajudar a alavancar o estoque genético nacional animais escolhidos com critério, Royal Academy num passado próximo e Roderic O'Connor no presente, são bons exemplos de que o importado com saber funciona e funciona muito bem!



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Timeo




Timeo, castanho, PR, 2006, por First American em In The Sand por Atticus de criação do Haras São José da Serra e propriedade de um condomínio, cavalo de lindo e irretocável tipo físico, foi um muito qualificado e versátil corredor, tendo vencido das mais importantes provas de cada idade do nosso calendário turfístico, aos 2 anos ganhou a seletiva milha da Taça de Prata, aos 3 anos venceu o Grand Criterium sobre 2000 metros, ambas as provas no hipódromo da Gávea e aos 4 anos sagrou-se campeão nos 2400 metros do GP São Paulo, importante comparação do turfe brasileiro.

Timeo no Haras São José da Serra, foto de Luiz Melao.




First American, seu pai, foi um cavalo com campanha sem maiores destaques, 13-2-1-2, seguindo a norma de sofrível para baixo padrão que responde pela imensa maioria dos garanhões importados em definitivo pelos criadores brasileiros, sua principal vitória foi obtida no Flamingo Stakes, 1800 m, D, (G3), uma segunda colocação no Clark Handicap, 1800 m, D, (G2) e um terceiro no Indiana Derby, 1700 m, D, (G3) seus outros melhores resultados.  Como reprodutor foi uma grata surpresa, seus filhos ganharam em toda e qualquer distância, dos 1000 aos 3000 metros, independente do tipo de pista, produziu 12 vencedores de grupo, com um expressivo índice de 8,16% Black Type, trata-se de um filho de Quiet American e tem como avô paterno a Fappiano, semental que apresenta muito bom resultado no Brasil como assim o demonstram seus filhos Roy e Signal Tap, que também foram destacados reprodutores entre nós. First American, além de Timeo, de longe seu melhor produto, produziu os vencedores de G1, Uncle Tom (GP ABCPCC – Gávea), That Sunday (GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro), Cores do Brasil (GP Margarida Polak Lara – Taça de Prata), Outplay (GP Ipiranga) e Ancona (Polla de Potrancas – Uruguay), mais outros vencedores e colocados em G2 e G3, além de colocados em G1, onde destacam-se American Style, Cônsul Americano, First Amour e Jardim di Napoli. Como avô materno já se destaca através do múltiplo ganhador de G1, Braço Forte (Manduro) e Silence is Gold (GP Margarida Polak Lara – Taça de Prata) por Agnes Gold. 

First American



Sua mãe In The Sand foi ganhadora e está se apresentando como um muito bom ventre, pois além de Timeo já produziu Anakin (GP 16 de Julho, G1) e Bom Gosto (GP Almirante Marquês de Tamandaré, G2), trata-se de uma filha de Sandhill (GP João Adhemar e Nelson de Almeida Prado, G3). Sand Dancer, a quarta mãe de Timeo, fundou um ramo materno vigoroso com frequente produção de elementos clássicos, nos apresentando o craque Sandpit, “Champion 3y-old” na Gávea, tendo vencido o GP Cruzeiro do Sul, GP Linneo de Paula Machado,  GP Francisco E. P. Machado – Taça de Ouro, Copa ANPC, Oak Tree Invitational Stakes, Caesar’s International Handicap (2x), San Luis Rey Stakes, Hollywood Turf Handicap, todas provas de G1 e inúmeras colocações em G1,G2 e G3, somando um total de US$ 3.774,204 em prêmios, Brunnhilde (GP Diana, G1; GP Duque de Caxias, G2 e GP Oswaldo Aranha, G3), Italiana in Algeri (2. GP Henrique de Toledo Lara, G3 e 4. GP João Adhemar e Nelson de Almeida Prado, G3), Tsonga (GP Conde de Herzberg, G2), River Tiete (4. GP João Borges Filho, G2 e 4. GP Antonio Joaquim Peixoto de Castro, G2) mais úteis ganhadores, onde pode-se destacar Tiger Motion, bom vencedor no Japão.

Timeo é neto materno de Atticus, um parelheiro de interessante classe que abordou com sucesso distâncias dos 1300 aos 1800 metros não escolhendo raia, demonstrou precocidade ao se sair vencedor aos dois anos, em 18 partidas obteve 7-3-1, tendo vencido o Oaklawn Handicap, 1800 m, D, G1; Arcadia Handicap, 1600 m, G, G2, nessa prova quebrou o recorde mundial para os 1600 m marcando o tempo de 1.31.89; Kentucky Cup Classic, 1800 m, D, G3; Prix de Fontainebleau, 1600 m, G, G3; 2. Poule d’Essai des Poulains, 1600 m, G, G1 e 3. Shoemaker Breeder’s Cup Mile, G, G3, foram seus principais resultados. Atticus sem maior destaque na reprodução dentro da esfera clássica é pai de ganhadores com mais de US$ 14.000.000,00 em prêmios, seus maiores destaques são, High Fly (G1) e os G3 Atticus Kristy e Can’t Beat It, como avô materno Atticus vêm se apresentando melhor que como pai, além de Timeo e Anakin possui mais 3 outros netos vencedores de grupo 1 nos EUA.

Timeo em sua vitória no GP São Paulo.




                                              Campanha 


2009

2 anos

2. Prêmio Schahriar, 1500 m, AB, Rio de Janeiro,
1. Prêmio Northern Pan, 1600 m, AB, Rio de Janeiro,
2. Seletiva GP J. Adhemar de Almeida Prado – Taça de Prata, 1600 m, GB, Rio de Janeiro,
1.Grande Prêmio J. Adhemar de Almeida Prado – Taça de Prata, G1, 1600 m, GP, Rio de Janeiro,

3 anos

4. Grande Prêmio Ipiranga ***, G1, 1600 m, GP, São Paulo,
1. Grande Prêmio Linneo de Paula Machado – Grand Criterium, G1, 2000 m, GP Rio de Janeiro,
2. Grande Prêmio Derby Paulista ***, G1, 2400 m, GF, San Isidro, São Paulo,

2010

3 anos

4. Grande Prêmio Estado do Rio de Janeiro ***, G1, 1600 m, GM, Rio de Janeiro,
6. Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado ***, G1, 2000 m, GP, Rio de Janeiro,
2. Grande Prêmio Cruzeiro do Sul – Derby brasileiro ***, G1, 2400 m, GB, Rio de Janeiro,
10. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, GM, São Paulo,

4 anos

5. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 m, GM, Rio de Janeiro,

2011

2. Prova Especial Falcon Jet, 2000 m, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Presidente Arthur da Costa e Silva, G3, 2000 m, GB, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 m, GF, São Paulo.


Timeo com apenas duas gerações de 17 produtos em idade de corrida apresenta 41,71% de ganhadores, 6 de 10 corridos (60% ganhador sobre animais corridos é um índice altamente expressivo que deve ser levado em consideração) e um elemento já vencedor de G 1, a destacada iniciante Tantiny, 1. GP Luiz Fernando Cirne Lima, G3, 1400 m; 4. GP Carlos Gilberto e Carlos Telles da Rocha Faria, G2, 2000 m; 5. GP Francisco Villela de Paula Machado, G2, 1600 m e 5. GP Adayr Eyras de Araújo, G3, 1500 m.

Tantiny sinaliza que muito possivelmente Timeo repetirá seu pai First American e tal como ele necessitará trabalhar sobre éguas de linhagens que transmitam velocidade, Mr Prospector, Bold Ruler, Lyphard e Icecapade são cruzamentos interessantes entre outras possibilidades que possuam brilhantismo, podemos pensar em filhas de Northern Afleet, Que Fenômeno, Blade Prospector, É do Sul, Mensageiro Alado, Desejado Thunder, mais na frente High Chris e Kris Five... Poker Face, Tônemaí e Universal Law. Acreditamos que caso Timeo receba as devidas oportunidades que sua excepcional campanha e régio pedigree merecem ele responderá com destaque na criação brasileira e se transformará num digno continuador de seu pai First American, Timeo é uma bela oportunidade para se tentar com plena possibilidade iniciar uma linha nacional de Fappiano.

Somente num cenário turfístico caótico e sem qualquer paradigma técnico como o brasileiro um animal com a qualidade de Timeo fica sem servir NENHUMA égua nas temporadas de 2014, 2015 e 2016. Esperamos que com o surgimento de Tantiny e o lamentável falecimento de First American a criação nacional passe a o olhar com justos olhos.                                                                                                                                                                                                                 TIMEO, VISÍVEL APENAS PARA AQUELES QUE SABEM ONDE OLHAR !






terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Dois pra lá, Dois pra cá

Vencedores dos últimos 5 GPs Cruzeiro do Sul - Derby brasileiro, 2400 metros, grama. Hipódromo da Gávea.

                                                2017 - Emperor Roderic

                                                                                                                                 4 x 5 Mr Prospector

Obs. À luz do Melhoramento Genético dos Animais Domésticos Emperor Roderic apenas apresenta inbreeding sobre Mr. Prospector, já que a passagem em Northern Dancer é por seu pai Roderic O'Connor, como Lady Carol não é emparentada com Northern Dancer não existe através dela consanguinidade para esse cavalo. A definição científica ampla é que a consanguinidade é o acasalamento de indivíduos cujo parentesco entre si é maior do que o parentesco médio da população considerada.


2016 - Daffy Girl

                                                                                                                                                          4 x 4 Northern Dancer e 4 x 5 x 5 Nearctic                                           


          2015 - Famous Acteon



5 x 5 Northern Dancer


2014 - Bal a Bali

                                                                                                                                
4 x 4 Gonfalon


2013 - Mojito

                                                                                                                           Outcross
    

O que isso tudo acima quer provar? Absolutamente nada, assim como as demonstrações de pedigrees de animais altamente consanguíneos não provam nada, a hoje existente maior concentração de endogamia no turfe quando comparada ao passado cabe a concepções diversas na condução atual da atividade. Evidentemente como o universo de animais altamente endógamos a poucos indivíduos é infinitamente superior aos que levam linhagens "exóticas" e/ou pouco consanguíneas sempre haverá uma maior possibilidade estatística de seu sucesso nas pistas. O único que se pode afirmar cientificamente é que indivíduos exógamos ou o quanto menos emparentados tendem a serem mais saudáveis e rústicos que indivíduos endógamos, o que vulgarmente é conhecido no meio pecuário e agrícola como "vigor híbrido". 


Pensamentos de dois fundamentais na história do turfe:  


1. "Buono con buono fa buono. Cattivo con cattivo fa cattivo. Buono con cattivo fa mezzo e mezzo." Frederico Tesio.

2. "Donnez-moi sang et j'élève un champion dans la Place Vendôme." Marcel Boussac.


O que parece não mais caber discussão no pensamento da criação é sobre a qualidade do pai e avô materno somadas a utilização de linhagens ventrais que se sustentam no vigor quanto a produção de classicismo, como exemplo tupiniquim a mais evidente é a iniciada pela notável mãe TAVIRA, o demais é o tempero da atividade.

Não devemos ser contra ou a favor do inbreeding ou outcross, cada caso é um caso e deve ser analisado como tal, o que deve-se ter em mente é a busca do animal saudável e se ter plena consciência que para essa busca o inbreeding é uma ferramenta extremamente válida mas que deve ser praticada com bastante critério, pois a homozigose tanto pode trazer os genes desejáveis como os indesejáveis, não existe nenhum ser vivo que seja portador unicamente de genes desejáveis... o que não quer dizer que se um cruzamento for praticado sobre animais não emparentados mas portadores das mesmas taras genéticas que a chance dessas taras virem a tona no produto possa ser desprezada. Seguramente que na incerteza da transmissão o outcross é uma ferramenta mais confiável para se conseguir indivíduos de melhor saúde e vigor.  

Considero Hyperio o exemplo de pedigree mais "race" que conheci, um 3 x 3 em Pharos através de Pharis e Nearco sobre Tourbillon e Hyperion somados a uma linha materna consistente e por um mensageiro de primeira qualidade, Amphis. Existe algo melhor?

# Uma curiosidade, o grande criador Marcel Boussac sempre é citado como exemplo quando se quer defender a prática da elevada consanguinidade no PSI, mas se estudarmos o pedigree de seus principais ganhadores, Pharis, Tourbillon, Marsyas, Caracalla, Djebel, Goya, Coaraze, Corejada, Corrida, Priam, Sandjar, Ardan, Ambiorix etc, veremos que a história não é bem assim. Inclusive seu último derby-winner Acamas era pouquíssimo consanguíneo. # 

Como na belíssima música de João Bosco e Aldir Blanc imortalizada na voz de Elis Regina: São dois pra lá, Dois pra cá...