terça-feira, 21 de novembro de 2017

Tônemaí




Tônemaí, castanho, RS, 2006, Wild Event em Onda por Jules, criação do Haras Santa Maria de Araras e propriedade do Haras Uberlândia, animal extremamente sadio e consistente correu dos 2 aos 6 anos, vencendo na grama dos 1500 aos 2400 metros em 8 oportunidades, o Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, G1, foi a sua principal vitória. Trata-se de um filho de Wild Event, 1. Early Times Turf Classic Stakes, G1, 1800 m; 1.W.L. McKnight Handicap, G2, 2400 m e 1. Keeneland Breeder’s Cup Mile Stakes, G2, 1600 m; mas é na reprodução que Wild Event se destaca sendo um dos mais notáveis reprodutores que já serviram no Brasil, semeando em nosso estoque genético suas qualidades. Pai até esta feita de 20 G1, entre eles o citado Tônemaí, Fluke, Poker Face, Daniel Boone, Esfinge, o Derby-winner argentino Eu Também, as vencedoras do Diana na Gávea Smile Jenny, Hunka Hunka, Cruiseliner, a Diana e Cruzeiro do Sul-Derby brasileiro Daffy Girl, a tríplice-coroada Old Tune, Double Trouble (USA), Brujo de Olleros, recordista dos 1600 metros em Maroñas, e Sing-A-Song (Uy), os recordistas Volly (1100 m - CJ) e Tokay (1400/1500/2100 m – Cristal),  já se apresentando também como avô materno de extremo sucesso através de Baccelo, Dolemite, Take The Stand (USA e Arg), etc... Sua mãe, a importada Onda é uma vencedora na grama nos 1300 e 1500 metros tem em Tônemaí seu primeiro e único produto, Ostora sua segunda mãe produziu Labirinto, um G3, sendo que sua terceira mãe My Darling One foi uma muito boa égua de pistas, 1. Fantasy Stakes, G1, 1. Fair Grounds Oaks, G3 e 3. Kentucky Oaks, G1, sendo mãe e avó de ganhadores e colocados em provas de grupo, Heart Lake, G3, Darling Flame, G3, Framelet, G3 e Beluga, G3. 

Wild Event.




Jules seu avô materno foi precoce e veloz, em 11 apresentações conseguiu 4 vitórias e 4 colocações, 1. Nashua Stakes, G2, 1600 m, foi seu melhor resultado, filho do excelente Forty Niner (campeão aos 2 anos), tem como segunda mãe Raise The Standard, uma filha de Natalma (mãe de Native Dancer), que produziu a clássica Coup de Folie, mãe de Machiavellian, Exit to Nowhere, Coup de Genie, Hydro Calido e  outros. Como reprodutor Jules se mostrou superior a sua campanha e confirmou as esperanças depositadas em sua régia linhagem, com 4 gerações obteve sólidos números, 11,63% de filhos ganhadores em provas Black Type e 18,10% ganhadores e colocados nessas provas, de seus filhos destacam-se Quick Road, G1, Quatro Mares, G1, Must Be Flying, G1, Notificado, G1, New Famous, G1, Mastro Lorenzo, G2, Match Box, G2, Millenaire, G2 e outros vencedores de grupo.

Tônemaí em sua vitória no GP Francisco Eduardo de Paula Machado, G1,





                                                  Campanha

2009

2 anos

7. Prêmio Waldmeister, 1400 metros, AB, Rio de Janeiro,
1. Prêmio Membro do Conselho Consultivo 1984/1988, 1500 metros, GM, Rio de Janeiro,

3 anos

2. Prêmio Diretor Tesoureiro do JCB – Construção do Hipódromo, 1600 metros, GB, Rio de Janeiro,
5.Grande Prêmio José Paulino Nogueira, G3, 1600 metros, GP, Rio de Janeiro,
4.Clássico Sandpit, L, 2000 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Prêmio Ramirito, 1500 metros, GP, Rio de Janeiro,

2010

3 anos

8. Grande Prêmio Estado do Rio de Janeiro, G1, 1600 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, G1, 2000 metros, GP, Rio de Janeiro,
13. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, G1, GM, São Paulo,

4 anos

1. Grande Prêmio Dezesseis de Julho, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
3. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Doutor Frontin, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
2. Grande Prêmio Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior, G2, 2400 metros, GE, Rio de Janeiro,

2011

4 anos

5. Clássico Presidente Rafael ª Paes de Barros, L, 2400 metros, GM, São Paulo,

5 anos

10. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Doutor Frontin, G2, 2400 metros, GB, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
3. Grande Prêmio Almirante Marquês de Tamandaré, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,

2012

5 anos

1. Grande Prêmio João Borges, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
18. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, GM, São Paulo,

6 anos

4. Grande Prêmio Dezesseis de Julho, G2, 2400 metros, GP, Rio de Janeiro,
6. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
3. Grande Prêmio Doutor Frontin, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
4. Grande Prêmio Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior, G2, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
7. Grande Prêmio Almirante Marquês de Tamandaré, G2, 2400 metros, GL, Rio de Janeiro,

2012

6 anos
 
4. Grande Prêmio Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, G3, 2200 metros, AB, Rio de Janeiro,


Tônemaí além da sua já comentada saúde e versatilidade apresenta pedigree extremamente aberto, o que facilita em muito a sua utilização como reprodutor. Só possui inbreedings em sua quarta e quinta geração, tendo apenas uma passagem em Northern Dancer através do saudável de locomotores Northfields e também uma passagem por Mr Prospector por meio de Forty Niner, um mensageiro saudável, ambos em sua quarta geração. Cabe destacar que Tônemaí possui um RF sobre Natalma em sua quinta geração, o que é de fato um importante ponto de força em seu pedigree. Com apenas 3 produtos em idade de corrida, geração 2014, Tônemaí tem em sua filha Magnetic Eyes, uma neta de Fast Gold (Mr Prospector) sobre Minstrel Glory - The Minstrel – Northern Dancer, sua primeira vitória como garanhão numa eliminatória de 3 anos.

Assim como a “honestidade” de Ski Champ, os sucessos de Wild Event, Christine Outlaw, Silent Times e do recentemente falecido Fluke na reprodução entre nós, Tônemaí deixa transparecer de imediato que a pujança no Brasil de Icecapade é de fato algo que chama atenção de qualquer hipólogo do PSI e como já comentamos em outra oportunidade tornando o nosso turfe no grande baluarte dessa linhagem a nível mundial. Confiamos que Tônemaí com o excelente trabalho que o Haras Uberlândia vem demonstrando e na qualidade com a qual esse campo de criação vêm construindo seu plantel de matrizes encontrará plenas condições para seu sucesso e conseqüentemente do haras que nele apostou suas fichas.

Resta a pergunta: Se Tônemaí fosse nascido nos USA com uma campanha similar seria economicamente viável para um criador brasileiro importar animal de tal padrão? E que os defensores do belo matungo ou mesmo o levemente mediano importado, aqueles que ganham comissão com a vinda desse tipo de cavalo, não venham com a tese de que vitória e/ou colocação em qualquer G2, G3 e outros tipos de prova no exterior seja a toda forma superior as poucas provas de G1 brasileiras em razão do nível de seleção... A tudo cabe análise, nos USA por exemplo a quantidade de G2 e G3 é absurdamente enorme e algumas categorias como stakes, handicap e listed absolutamente inumeráveis, o que torna qualquer análise para importação de algum cavalo para garanhão algo muito criterioso, seja ele de onde for e vier.

E se pensarmos bem sempre haverá os Duraque da vida vencendo um ou outro G1...






terça-feira, 14 de novembro de 2017

Silent Times


Esse animal gerou dois vencedores do Derby Paulista e na temporada de 2016  serviu apenas DUAS éguas!




SILENT TIMES, c, 2003, Irlanda, por Danehill Dancer em Recoleta por Wild Again, como corredor foi um dois anos de primeiríssima grandeza, tendo vencido o importante Intercasino Champagne Stakes, G2.  Seu pai Danehill Dancer foi o campeão dois anos da Irlanda e muito bom sprinter, tendo vencido dos 1200 aos 1400 metros, Phoenix Stakes, G1, National Stakes, G1 e Greenham Stakes, G3, foram suas vitórias, mas foi como reprodutor que se destacou ao produzir nomes como Mastercraftsman, Again, Lillie Langtry, Dancing Rain, Esoterique, Alfred Nobel entre outros, em 2009 Danehill Dancer foi o reprodutor líder na Inglaterra e Irlanda. 

Danehill Dancer




Sua mãe Recoleta é ganhadora e produziu Rock of Rochelle, vencedor de grupo e reprodutor iniciante na África do Sul; sua segunda mãe Alvear produziu Offlee Wind (US$ 976.000) e reprodutor líder dois anos em 2009 nos EUA, destacando-se seu filho Bayern com US$ 4.454.930 e 1. Breeder's Cup Classic, G1; sua terceira mãe Andover Way produziu Dynaformer, pai de 129 SWs e 25 G1 SWs, entre eles Bárbaro, Point of Entry, Lucarno, Americain, Rainbow View, White Moonstone e Blue Bunting. On the Trail a quarta mãe de Silent Times é inscrita no hall da fama americano, maiores informações:



Seu avô materno é Wild Again, um Icecapade, pai entre nós dos excepcionais reprodutores Wild Event e Christine’s Outlaw, Ski Champ é outro Icecapade com  bom desempenho como reprodutor no Brasil (7,60% vencedores em provas Black Type), demonstrando que por alguma razão inexplicável o Brasil é o baluarte Icecapade no turfe mundial. Silent Times com seus dois derby-winners Reality Bites e Galope Americano mais Capitólio, vencedor do GP Presidente da República, G1, Gávea, confirma a pujança do sangue Wild Again no turfe brasileiro.




                                              Campanha

2005

2 anos

2. Freephone Stanleybet E.B.F Maiden Stakes, 1450 metros, grama, Ayr – UK,
1. Fit As A Butcher Dog Challenge Maiden Stakes, 1400 metros, grama, York – UK,
2. Happy Valley Auction Stakes, 1400 metros, grama, Newbury – UK,
3. Galileo EBF Futurity Stakes, G2, 1400 metros, grama, Curragh – IR,
1. Intercasino Champagne Stakes, G2, 1400 metros, grama, Doncaster – UK,

2006

3 anos

*Sem colocação. Lane’s End Stakes, G2, US$ 500.000, 1800 metros, grama, Turfway Park – USA, prova preparatória para o Kentucky Derby,
* Sentiu durante a corrida sendo desmontado por seu jóquei.
8. Rock of Gibraltar EBF The Tetrarch Stakes, grama, 1400 metros, Curragh – IR.

Ao analisarmos os índices reprodutivos de Silent Times é incompreensível o abandono a ele relegado pelos criadores brasileiros, de seus filhos em idade de corrida 69,82% correram e 56,76% venceram, dos que correram 9,02% são vencedores Black Type, o que o coloca com índices bastantes consistentes num patamar que o credencia entre os melhores garanhões em atividade no país. Seus índices não ajustados são, 63,79% correram, 36,20% ganhadores e 6,36% ganhadores e colocados em provas Black Type (Stud Book).

O que se nota quanto ao pedigree de seus filhos que não correram ou encerraram prematuramente suas campanhas é a percepção de que inbreedings próximos sobre descendentes de Northern Dancer que trazem fragilidade locomotora e/ou a presença de Mr Prospector não indicam a direção mais apropriada no planejamento de coberturas para Silent Times. 

O estudioso do assunto Marcelo Augusto da Silva nos autorizou para ilustrar como exemplo negativo do acima exposto o potro El Vingador, por ele adquirido, que mesmo em que pese correto tipo físico e um início promissor em seu treinamento acabou mancando de tendão, não podendo dessa forma dar prosseguimento a sua campanha. A expectativa de sucesso de El Vingador tinha suas justificativas pois existem interessantes pontos de aproximação familiar em seu pedigree além de pertencer a uma muito boa família materna que entre nós produziu como exemplo Mensageiro Alado, Acteon Man e Clausen Export, mas infelizmente o quesito hereditariedade em saúde, que jamais pode ser desprezado, acabou falando mais alto.



El Vingador apresenta um inbreeding 3 x 5 sobre Northern Dancer através de dois pontos de fragilidade em locomotores, o já conhecido nesse aspecto Danzig e Shareef Dancer. Shareef Dancer não estreou aos dois anos, foi um muito bom 3 anos, correndo apenas 5 vezes, venceu o Irish Derby, G1 e King Edward VII Stakes, G2, sendo declarado "Middle Distance Horse UK em 1983, ao iniciar campanha de 4 anos mancou de tendão e retirado para reprodução. Se somarmos a esse painel que Silent Times teve problemas de locomotores e que seu pai Danehill Dancer também pagou seu preço a Danzig é de se supor que o formato do pedigree de El Vingador indicava enormes possibilidades de problemas futuros quanto ao aspecto sanidade de locomotores, o que de fato acabou ocorrendo. 

O esquema de dosagens de Silent Times apresenta um diagrama em que se pode esperar aumento de distância com sucesso até provavelmente um meio fundo, tal fato aliado a uma categoria demonstrada em início altamente promissor seja a provável explicação de sua transferência para os EUA e inscrição numa Added preparatória para o Kentucky Derby, o seu alto índice em elementos Classic é a fonte da tenue necessária para que seus filhos dentro de cruzamentos apropriados possam atingir a distância clássica com sucesso, como assim o fizeram seus dois derby-winners Galope Americano e Reality Bites.

Galope Americano



Reality Bites



O que se pode observar nesses dois exemplos é que Galope Americano possui um pedigree muito aberto, já que o elemento existente de consanguinidade é o inbreeding sobre seu pai. Cabe ressaltar a inexistência de elementos da linha de Mr Prospector que transmitam fragilidade de locomotores bem como qualquer outro da linha Northern Dancer que também potencialize esse tipo de hereditariedade, como o exemplo Shareef Dancer comentado em El Vingador. 

Quanto a Reality Bites nota-se que apresenta também um pedigree bem aberto e ausência de Mr Prospector, o inbreeding aqui existente sobre Northern Dancer, um 5 x 5, vem através de uma passagem por Danzig e outra pelo consistente Be My Guest, o que deixa claro que o ponto para Silent Times é o de se evitar nas éguas a ele oferecidas a presença de mensageiros que sejam transmissores de fragilidade de locomotores.


Capitólio, vencedor do GP Presidente da República, 1600 metros, Gávea.


Novamente percebe-se um pedigree bastante aberto com apenas um inbreeding para Capitólio, um 3 x 4 sobre Sharpen Up, isento de Mr Prospector e sem potencialização de elementos transmissores de fragilidade. Sharpen Up é um conhecido nick para Danehill e essa duplicação em Capitólio seguramente é um ponto de força.

Portanto, reiteramos que tudo indica que o já obtido sucesso de Silent Times na reprodução está alicerçado em seu cruzamento sobre éguas sãs e pertencentes a linhagens saudáveis. A ausência de Mr Prospector nos seus principais filhos merece atenção, caso não se queira abrir mão das inegáveis qualidades desse reprodutor é interessante cautela pois hoje é condição mais que conhecida na criação mundial que inbreedings envolvendo a descendência de Danzig e Mr Prospector só são relativamente seguros se efetuados via mensageiros saudáveis de locomotores.

Silent Times oferece ao criador brasileiro a possibilidade da utilização de suas filhas com os garanhões Wild Again aqui existentes, e assim possibilitar um trabalho de consanguinidade sobre uma linhagem que se enraizou em nossa criação com imenso sucesso; por Wild Event: Tônemaí e Poker Face; Christine's Outlaw: Universal Law e muito provavelmente no futuro Kris Five e High Chris, corredores que não merecem serem ignorados na reprodução. O sucesso inicial do lamentavelmente falecido Fluke como reprodutor, assim como o envio de Daniel Boone pelo Haras Santa Maria de Araras para servir como reprodutor em sua seção argentina demonstram o quilate da linhagem Wild Again/Icecapade.

Entendemos que o cruzamento de Silent Times com filhas de Manduro e Shirocco, dois consistentes alemães de primeira categoria, linhas de Saddler's Wells e Know Heights - Shirley Heights sejam opções a serem consideradas. 

Um ponto também a ser melhor observado para Silent Times é que sua progênie parece demonstrar algum tipo de inadequação para pista de areia.



domingo, 5 de novembro de 2017

Educação e treinamento para corridas




Ernani de Freitas, apenas uma palavra, MESTRE.

As considerações abaixo são pensamentos de Guillermo Young e também fruto das memórias de minhas conversas com esse outro mestre, na minha juventude era frequente minhas visitas em sua cocheira para ver o "meu" tordilho Orpheus, sendo sempre muito bem recebido e honrado com seus ensinamentos. 


Orpheus





Não é apenas a seu sangue, físico e criação que um cavalo de corrida deve seu sucesso nas pistas, a doma, educação e treinamento são elementos fundamentais em sua atuação futura. Alguns potros ágeis e precoces se apresentam rapidamente e encontram-se em condições de corrida muito cedo. Mas de forma geral os mais precoces costumam ser os mais temperamentais e naturalmente se desgastam mais nos treinos e nas corridas, portanto é necessário que sejam trabalhados com muita cautela e mesmo sacrificar em seus primeiros tempos inscrições em corridas que a julgamento de seu treinador e proprietário estejam a sua mercê, os fazer participar em seus inícios de poucas corridas é fundamental para que se façam tranquilos e percam todo seu natural receio. Lamentavelmente alguns potros que debutam bem são corridos com demasiada frequência sem o devido descanso, sendo o resultado mais que desgaste físico e sim uma surmenage produzida por excesso de excitação nervosa tão comum nos animais jovens que por vezes termina em sua total perda, sobretudo se ele tiver temperamento muito vivo e consequentemente ter que sustentar em muitas corridas severa luta com outro ou outros produtos. É por essa circunstância que tantos potros de verdadeira promessa desaparecem de forma frequente do cenário hípico durante os primeiros meses da temporada clássica. No caso dos exemplares de temperamento apático e tranquilo para se evitar os males resultantes da necessidade de recorrer a rigor durante os exercícios em privado e de esforços prematuramente feitos, por vezes é interessante os debutar mesmo verdes para completar seu treinamento e educação em corrida, correndo os como é natural com o propósito de ganhar mas com o seu jóquei instruído para não os castigarem ou os surpreenderem com severa exigência de pernas e calcanhares se for evidente a impossibilidade de vitória, o castigo brutal é negativo para animais já erados  e se isso passa com veteranos é de se imaginar o que sucede na psique de um potro para os quais as corridas, o ruído do público, de carros, campainhas resultam como uma série de novidades que os tomam de surpresa e para as quais é necessário os habituar sempre lidando com toda suavidade e doçura que seja possível. O produto assim educado perde rapidamente de forma geral todo temor exagerado tranquilizando-se no prado e criando as condições para que se transforme em um bom cavalo de corridas desde que possua evidentemente as qualidades indispensáveis para tal.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Universal Law





Universal Law é um castanho nascido em 2011 no Haras Cruz de Pedra no Rio Grande do Sul e propriedade de Sergio Coutinho Nogueira, filho de Christine’s Outlaw, link abaixo, em Universal Rara por Ramirito. Christine's Outlaw merece admiração e respeito , é um distribuidor de velocidade em todas as suas formas que deve ser considerado um reprodutor “Intermediate ou Trans-Brilliant”,

http://purosanguedecorrida.blogspot.com.br/2017/08/christines-outlaw_28.html


Cabe destacar seus números na reprodução, com 9 gerações em corrida possui 12,59% de ganhadores e colocados em provas Black Type e 8,77% de vencedores nessas provas (números Stud Book), considerando que uma muito grande parte de sua produção é dirigida diretamente para as pencas onde apresenta qualificado rendimento e conseqüentemente ela não aparece nos números oficiais do Stud Book à de se considerar a relevância dos dados conhecidos.

Universal Rara possui 37,50% em ganhadores e colocados Black Type com 25% de vencedores nessas provas (números Stud Book), pertencendo a uma linha materna brasileira fundada por Urisca (élevage Paula Machado) que vêm se destacando de forma consistente em nossa criação principalmente através do ramo de Ola I Ask, abaixo comentada:


Ola I Ask, 40% em ganhadores e colocados Black Type com 13,33% de vencedores nessas provas (números Stud Book) é mãe de:


a - Grand I Ask

1. GP OSAF, G1, 2000 m,
1. GP Luiz Fernando Cirne Lima, G3, 1800 m,
2. GP Presidente Sylvio Álvares Pentado, G3, 2000 m,
3. GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra, G1, 2000 m.

b - Temmais Style

3. GP Presidente Luiz Oliveira de Barros, G2, 1800 metros.
mãe de:
     - Quartel General, 2. GP CPCCSP, G3, 2400 m.

c - Universal Rara, mãe de:

-         Universal Law, aqui descrito,
-         Uareoutlaw, 6 apresentações com 3 vitórias, 2 segundos e 1 terceiro, 1. GP J Adhemar de Almeida Prado – Taça de Prata, G1, 1600 m, 1. GP Presidente José de Souza Queiroz, G2, 1400 m e 2. GP Juliano Martins, G1, 1600 m,
-         Uareademon, 7 apresentações com 5 vitórias, 1 segundo e 1 quarto, 1. GP Polla de Potrillos, G1, 1600 m – Uruguai, 1. Clássico Carlos Reyles, L, 2300 m – Uruguai, 1. Copa ABCPCC Regional, G3, 1600 m, 2. GP Presidente Antonio Correa Barbosa, G3, 2200 m e 4. GP Bento Gonçalves, G2, 2400 m.

d - Uai I Ask, 3. GP Copa dos Campeões, G2, 2200 m.

e - Xiririca da Serra, 33,33% em ganhadores e colocados Black Type com 22,22% de vencedores nessas provas (números Stud Book),

1. GP José Guathemozin Nogueira, G1, 2400 m,
3. GP Marciano de Aguiar Moreira, G1, 2400 m.
mãe de:

-         Jaspion Silent, 1. GP São Paulo, G1, 2400 m, 1. GP 14 de Março, G3, 2400 m, 2. GP Farwell, G1, 1600 m, 2. GP Derby paulista, G1, 2400 m, 4. GP Jockey Club de São Paulo, G1, 2000 m,
-         Kandido Hat, 2. GP FINAH, G3, 2000 m, 2. GP João Borges Filho, G2, 2400 m, 4. GP 14 de Março, G3, 2400 m, 4. GP Antonio Joaquim Peixoto de Castro JR, G2, 2400 m, 4. GP Almirante Marquês de Tamandaré, G2, 2400 m.

Obs: Não é objetivo desse blog apresentar estudos sobre linhas maternas, mas nesse caso cumpre destacar rapidamente ganhadores de provas de grupo a partir da fundadora Urisca, fora o ramo de Ola I Ask já tratado acima, são eles: Siphon – G1, Verinha – G1, Chang Tong – G1, Ivoire – G1, Poutioner – G1, Reselá – G2, Spring Star – G2,  Foix –G3, Alcazar – G3, Senateur – G3 e Color Prospector – G3.  


Christine’s Outlaw.





Universal Law no GP São Paulo.





                                                Campanha



2014
2 anos

1. Prêmio João Luiz Maciel, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,

3 anos

1. Prêmio Coray, 1300 metros, AM, Rio de Janeiro,
1. Prova Especial Daião, 1400 metros, AM, Rio de Janeiro,

2015

3 anos

4. Grande Prêmio Estado do Rio de Janeiro ***, G1, 1600 metros, GL, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado ***, G1, 2000 metros, GL, Rio de Janeiro,
8. Grande Prêmio Cruzeiro do Sul ***, G1, 2400 metros, GM, Rio de Janeiro,
2. Grande Prêmio Presidente da República, G1, 1600 metros, GP, Rio de Janeiro,

4 anos
1. Grande Prêmio Copa ABCPCC Clássica Mathias Machline, G1, 2000 metros, GM, São Paulo,
1. Prêmio Copa dos Campeões, G2, 2000 metros, GP, São Paulo,

2016

4 anos

3. Gran Premio Latinoamericano, G1, 2000 metros, GL, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, GB, São Paulo.



Universal Law além de seu excepcional mérito genético claramente demonstrado pelos índices parentais acima citados, foi um muito bom corredor que apresentou extrema versatilidade, venceu dos 2 aos 4 anos dos 1000 aos 2400 metros tanto na areia como na grama e apresenta características que o credenciam plenamente para reprodução, condições essas que estão presentes em praticamente todos os garanhões que atingem sucesso na criação mundial e que são muito boa campanha, animal de meio fundo, precoce, veloz, sempre participar ativamente das corridas e o mais importante possuir vontade de vencer, a “will to win” que o fez mesmo sendo um típico meio fundo atingir a vitória nos 2400 metros do GP São Paulo, que juntamente com o GP Brasil são as mais seletivas provas de comparação do turfe brasileiro. A ressalva que alguns poderiam fazer seria a de que o pedigree de Universal Law não é moderno, provavelmente se o seu avô materno Ramirito fosse nascido nos EUA com campanha lá similar e se chamasse “Little Rami” seria considerado “FASHION” e um "MUST" para  a criação nacional, o mesmo raciocínio é válido para Clackson, Helíaco e Grimaldi... 

Icecapade.



Outro aspecto importante a se ressaltar na genética de Universal Law é de que ele é totalmente OUTCROSS até a sua quinta geração e ausente de sangue Northern Dancer e Mr Prospector, o que certamente é uma vantagem para novas combinações genéticas na busca de se recuperar mais vigor híbrido sem perda de qualidade corredora, estamos tratando de Icecapade, um segundo ramo de Nearctic que sempre se apresentou de muito sucesso entre nós através de seu pai Christine's Outlaw, Wild Event, Ski Champ e Bright Again, o infelizmente recém desaparecido Fluke demonstrou em sua primeira geração o vigor de Icecapade no Brasil. O outcross era a filosofia de cria do notável selecionador Roberto Seabra em seu Haras Guanabara, todos os produtos do Guanabara atendiam ao outcross ou no máximo vinham com 4 x 4 sobre 1 exemplar ou 4 x 5 e/ou 5 x 5 sobre 1 ou 2 exemplares diferentes, Emerson, Escorial, Dulce, Lohengrin, Empyreu, Emocion, Duplex, Bucarest, Radar, Sing Sing, Endymion, Honolulu, Fairplay, Canaletto, Canavial, Emerald Hill são alguns exemplos do sucesso da criação Seabra.

O blog parabeniza a Sergio Coutinho Nogueira por prestigiar a seu Universal Law, fica a nossa torcida e plena confiança de que ele será um sucesso na reprodução.



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Velocidade - final



Phalaris



O universo da criação do PSI é tão vasto e complexo que nele cabe inúmeras teorias sobre a presumível vertente ideal para se conseguir o cavalo fora de série e cada qual pode defender seu ponto de vista apresentando inúmeros exemplos de bons resultados, mas existe um ponto comum que é o elemento catalisador da amálgama de onde pode surgir um craque e se chama “VELOCIDADE.”

Lord Derby concentrou sua criação em Phalaris, um sprinter-miler que corria de bandeira a bandeira e foi ganhador de 15 provas comuns entre 1200 metros e a milha.

Em seu livro “Il Purosangue, animale da esperimento”, Tesio escreve:
“Se em todos os 64 primeiros ascendentes de um cavalo de corrida existirem apenas stayers é certo que este cavalo jamais ganhará uma corrida decente sobre qualquer distância.” e mais adiante completa, “Sem um grande representante da milha em um pedigree será difícil de se produzir um animal extraclasse pois faltará a explosão nervosa que é sinônimo de VELOCIDADE.”

H.H. Aga Khan III, criador entre outros de Bahram e Mahmoud além de proprietário de  Mumtaz Mahal, Teresina, Blenheim, My Love, Salmon-Trout... acreditava em velocidade prolongada no tempo, é conhecida sua famosa carta na qual escreveu: “Neste momento quando todos que dirigem o turfe buscam meios para manter o prestígio do PSI tenho um conselho a dar: sejam mais cuidadosos quando jogarem água para fora da banheira. Não permitam que a criança se perca, e essa criança se chama VELOCIDADE.”, o atual Aga Khan, o IV, manteve o império hípico herdado de seu pai, o príncipe Aly Khan, assentando sobre suas matrizes sangue Never Bend, um grande vencedor dos 1300 aos 1800 metros que era velocidade, velocidade e mais velocidade.

O que de forma geral se busca através da palavra “VELOCIDADE” é aquela velocidade capaz de se destacar por qualidade, seja a velocidade “pure-brilliant” dos flyers e sprinters ou a velocidade “trans-brilliant”. Não é nossa intenção e nem faria sentido considerar aqui sobre categorias de velocidade mas é clara a divisão entre os velocistas puros que apresentam maior possibilidade para transmitirem a seus descendentes velocidade explosiva e os garanhões da tribo “trans-brilliant”, que é aquela que oferece mais capacidade para sua produção exteriorizar a condição de sustentar velocidade ao longo do tempo e chegar as distâncias clássicas dos Derbies, mas na essência esses dois tipos de velocidade são frutos da mesma árvore, uma Hyperion servida por Nearco gerou a Nearctic, um puro sprinter, e esse gerou a Northern Dancer provando que em algum ponto de uma genealogia elas se fundem e complementam-se. No passado primeiro Phalaris e posteriormente Hyperion e Nearco foram os paradigmas de velocidade mais classe, Northern Dancer também era esse cavalo e hoje alguns exemplos seriam os chefs-de-race Danzig, Mr Prospector, Nijinsky e Nureyev.

Para uma melhor compreensão da relação milheiro e velocidade colocarei aqui excelente análise de Milton Lodi sobre Quartier Latin.

Um dos milheiros brasileiros de maior sucesso nas pistas foi Quartier Latin, de criação e propriedade do Haras São Bernardo, da Baronesa Marie Blanche Rotschild Von Leithner. O jóquei oficial da coudelaria era Gastão Massoli, de superior educação sempre bem vestido e atencioso com todos. Acontecia que com Massoli, sempre com boas direções o Quartier Latin corria com facilidade entre os ponteiros, e na reta final não correspondia. A Baronesa então resolveu entregar a direção de Quartier Latin a Luiz Rigoni, para muitos com destaque o melhor jóquei brasileiro de todos os tempos. Rigoni montava no regime de freio, e com um suave toque nas rédeas dominava por completo os corredores mais voluntariosos e com serenidade instigava os mais preguiçosos. Com Rigoni, Quartier Latin ficou outro, Rigoni o fazia ficar em último, em galope tranqüilo e ritmado, e quando no inicio da última reta por ele procurava, Quartier Latin acelerava rapidamente e sempre vencia com folga. Foi assim que Quartier Latin, com Luiz Rigoni, venceu em um ano o Grande Premio Presidente da República, Grupo I, em Cidade Jardim a milha internacional da semana do Grande Premio São Paulo, e no mesmo ano, venceu a mesma prova no Jockey Club Brasileiro. E mais ainda, a mesma dobradinha repetida no ano seguinte. Os menos detalhistas entenderam que ali estava um futuro garanhão de sucesso. Mas na prática sucedeu diferente, Quartier Latin não alcançou o êxito esperado. Mas por quê? Resposta simples, o bom milheiro, o realmente bom, tem que mandar na corrida desde o principio, não pode ser, digamos assim, um bom aproveitador do ritmo imposto por outros. Não é ter a obrigação de correr na ponta, é fazer parte de um bom ritmo desde o inicio, na ponta ou perto, e ainda aumentar a velocidade na última reta. A perspicácia de Luiz Rigoni logo percebeu que Quartier Latin era muito bom, mas não tinha a fundamental característica dos grandes milheiros, velocidade inicial, ritmo forte, e ainda uma brilhante reta final. Essa soma de características é privilégio de poucos”.

Isso posto temos que ter especial atenção no estudo dos pedigrees para planejar cruzamentos ou comprar animais e não apenas considerar os resultados de pistas. Partilho com aqueles que pensam que a característica mais importante para um cavalo ter sucesso como reprodutor além de campanha, um belo pedigree e tipo físico é VELOCIDADE aliada a um compromisso visceral com a vitória mesmo diante de evidentes deficiências físicas, deficiências essas que não o permitiu demonstrar em pistas a sua capacidade locomotora em plenitude, os meus exemplos para esse tipo de cavalo são BLADE PROSPECTOR e QUE FENÔMENO, o primeiro infelizmente já desaparecido é um reconhecido grande produtor de penqueiros e o segundo uma viva esperança pois certamente possui um dos hoje melhores pedigrees da reprodução brasileira. Me recordo de outro cavalo do mesmo quilate, CIGAL, a história contada pelo dr. Antonio Jorge de Camargo foi a seguinte: Harry Wragg era um bom amigo dele desde os tempos de estudante na Inglaterra e treinador de Cigal e de Psidium, esse o derby-winner da geração, mas Cigal era considerado o melhor potro da cocheira e que sua VELOCIDADE e volúpia pela vitória nos treinos era algo que Harry Wragg lhe disse nunca ter visto em nenhum cavalo que até então havia treinado, continuou que após Cigal mancar de tendão em sua única apresentação Harry Wragg o ofereceu a ele como uma certeza absoluta de sucesso na reprodução por sua psique, o indispensável "will to win", Cigal chegou ao Paraná e foi o que foi, lembram de DANZIG...


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Setembro Chove




Setembro Chove, castanho, SP, 2001, cavalo com muito boa filiação é um Fast Gold em Setting Trends por Knifebox, criação do Haras Interlagos e propriedade do Stud Chesapeake, foi um vencedor da milha do GP Presidente da República no hipódromo da Gávea, exportado, cumpriu campanha em Singapura. Seu pai Fast Gold, foi um cavalo de meio fundo e vencedor nos EUA do Paterson H, G1, 1800 m, Pegasus H, G2, 1800 m e Excelsior S, G3, 2000 m com US$ 559.632,00 em prêmios, dos primeiros shuttles modernos no Brasil primou pela inclusão de velocidade aos pedigrees nacionais até então muito fundamentados em sangue europeu  stout e professional, garanhão de vinda benéfica gerou parelheiros de qualidade como Guacho (GP Derby paulista), Be Afair (GP Diana), Helisangela (GP OSAF), Lingote de Ouro (GP Presidente da República), Zé do Ouro (GP Juliano Martins), El Paso (GP Francisco Eduardo de Paula Machado) entre uma grande série de bons elementos de grupo, também bom avô materno Fast Gold pode ser considerado dentro da criação brasileira um “Quality Sire”. Setting Trends sua mãe é filha de Knifebox, bom corredor de meio fundo (1. Premio Roma, G1, 1. Ciga Prix Dollar, G2, 1. La Coupe de Maisons Lafitte, G3, 1. Premio Carlo Porta, G3, 1. Abtrust Select S, G3 (2 vezes), 1. Burtonwood Brew Rose Lancaster S, G3, 1. Grand Prix de Marseille, L), garanhão que deixou entre nós 3 reduzidas gerações e conseqüentemente de pouca lembrança na memória do nosso turfe atingindo porém 14,94% de filhos ganhadores e colocados em Black Type, o que o coloca em um bom patamar no élevage nacional, a linha ventral de Setembro Chove é uma introdução moderna na criação brasileira através de sua avó e com sucesso modesto entre nós, o freqüentador de grupo Serial Winner (GP Presidente Antonio T. Assumpção Netto) é o outro elemento que pode ser citado dessa linha materna.

Fast Gold.



Setembro Chove no GP Presidente da República.




                                                     Campanha

2004
2 anos

5. Prêmio, 1200 metros, AE, Curitiba,
2. Prêmio Jockey Club de Campos/Jockey Club de Minas Gerais, 1600 metros, GM, São Paulo,

3 anos
1. Prêmio Rocky Pesado, 1600 metros, GRP, São Paulo,
9. Grande Prêmio Presidente Antonio Corrêa Barbosa, G2, 2200 metros, AE, São Paulo,
6. Grande Prêmio Governador do Estado, G3, 1600 metros, ALN, Curitiba,

2005

3 anos

2. Prêmio Bárbara Hill, 1500 metros, ARN, São Paulo,
1. Prêmio Jambo Ridge, 1500 metros, GRP, São Paulo,
1. Prêmio Mad Carolina, 1500 metros, AB, São Paulo,
1. Clássico Semana Internacional – A, L, 1600 metros, GB, São Paulo,

4 anos
1. Grande Prêmio Henrique de Toledo Lara, G3, 1600 metros, GB, São Paulo,
1. Grande Prêmio Presidente da República, G1, 1600 metros, GB, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Governador do Estado, G3, 1600 metros, GM, São Paulo.

Campanha no exterior 
1. Kranji Mile, G1, 1600 metros, Singapura,
2. Patron’s Bowl, G1, 1600 metros, Singapura,
2. Raffles Cup, G1, 1800 metros, Singapura,
2. Chairman’s Trophy, G2, 1600 metros, Singapura,
3. Singapore Derby, G1, 2000 metros, Singapura,
4. Kranji Stakes, G1, 1600 metros, Singapura.
4. Singapore Airlines International Cup, 2000 metros, Singapura.

Setembro Chove com 7 gerações em idade de corrida apresenta expressivo índice de ganhadores e colocados em provas Black Type, posicionando-se no mesmo escalão de reconhecidos garanhões importados que se destacaram pela alta qualidade de suas produções, em um comparativo com alguns desses garanhões que foram escolhidos de forma aleatória e por questões éticas entre exemplares já falecidos encontramos os seguintes dados:
Ghadeer - 19,32% em 22 gerações,
Know Heights – 19,30% em 14,

First American – 17,41% em 15,
Setembro Chove – 16,66% em 7 (01/11/2017),
Roi Normand – 15,14% em 17,
Dodge – 14,91% em 18.
Outros exemplos nacionais:
Clackson – 18,26% em 20,
Baronius – 16,80% em 18,

Itajara – 15,90% em 7
Setembro Chove como reprodutor em que pese seu restrito aproveitamento já nos ofereceu corredores da categoria de Juno (GP Barão de Piracicaba, G1), Love ‘N’ Happiness (GP Immensity, G1) e Love Your Look (GP Henrique de Toledo Lara, G1). Destacamos que Setembro Chove é um neto paterno do chefe de raça Mr Prospector e bom representante da tribo por ele fundada, essa proximidade de sangue o torna uma boa opção para o criador que queira trabalhar com os nicks clássicos para Mr Prospector.
O blog parabeniza José Luiz Glaser que através de seu campo de criação, o Stud Chesapeake, prestigia seu Setembro Chove e está colhendo frutos por sua acertada escolha.
Os números acima merecem reflexão e deixam evidente a qualidade do garanhão nacional perante importados.

Obs. Todos os dados acima são oficiais e constam no site do Stud Book brasileiro.





quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Tudo Como Dantes no Quartel de Abrantes


Transcrevo abaixo excelente texto do hipólogo Renato Gameiro extraído de seu “NINHO DO ALBATROZ”, na minha opinião o melhor blog turfístico da atualidade sempre bem informativo do que se passa no mundo do turfe, datado em 02/08/2010, no qual versa sobre tema relativo ao abandono que as linhagens masculinas são relegadas no Brasil, posicionamento corretíssimo e com o qual concordo em gênero, número e grau.

Obs. Notem que o escrito foi em 2010 e hoje 7 anos depois tudo continua igual e daqui a outros 7 e mais 7 provavelmente nada se modificará, mas caso esse nosso trabalho de divulgação do bom nacional prospere e frutifique na mentalidade de algum criador brasileiro já nos sentiremos com a missão cumprida.

As vezes é difícil de querer sequer acreditar. Mas o descrédito para com o reprodutor nacional, mesmo filho do importado idolatrado em odes e versos, é ainda enorme em nosso pais. Ciciam nossa palavras. Se mostram histriônicos, como um deputado da situação tentando provar sua inocência no mensalão.
Existe uma forma de se manter uma raça em um determinado centro criatório. E esta forma, ou poder-se-ía, dizer fórmula, é simples, como toda regra deve ser. Ela depende em muito das reprodutoras, pois, mesmo em um pais como o nosso onde muitos não acreditam que cavalo de corrida tenha mãe, e a maioria dos que acreditam, pensam que ela deva ter sido clássica em pista, mesmo com qualquer falta de pedigree que possivelmente tenham, a mãe é dado importante. Não notado, mas sempre existente.
Pois bem, experimente pegar um nacional de ótimo calibre em pista, filho de um Royal Academy, de um Roi Normand, de um Jules ou de um Spend a Buck, apenas para termos como exemplo, e a ele oferte éguas importadas, ou mesmo nacionais de linhas altamente transmissoras de classicismo e eu lhe garanto que suas chances de manter a raça viva em nosso território serão grandes. Se não enormes, pelo menos maiores. Formar-se-á a nossa própria raça, miscigenada com o importado de bom valor.
Hoje não existem os filhos de Locris, Earldom, Waldmeiter, nem mesmo de Clackson ou de Ghadeer em plena evidência. E este crime contra a criação nacional não é de hoje. Ele perpetua-se de geração em geração.
Vocês imaginem que a um determinado tempo, trouxemos em uma só leva os segundo, terceiro e quarto colocados do Derby de Epson, quando esta carreira era considerada a maior vitrine para a reprodução. Foram eles, Swallow Tail, Royal Forest e Normaton. Evidentemente que eles caíram em três da meia dúzia de haras de ponta que tínhamos na época e as famílias Peixoto de Castro, Seabra e Rocha Faria, os utilizaram. O primeiro foi sucesso, o segundo esteve na media, enquanto o terceiro pouco disse ao que veio. Outrossim, nada dos mesmos pode ser mantido até os dias de hoje. E foi pelos pequenos Haras que de alguma forma estes três grandes cavalos foram capazes de sobreviver por mais de uma geração
Sabot, por Normaton ainda produziu um ganhador de grupo, El Susto. Zuido e Código por Swallow Tail, produziram o primeiro a Juca, o pai de Juanero e o segundo a Computador, este o pai de Lorde Ubaldo, Molhado e Parolin, E Junior e Vaudeville, filhos de Royal Forest são respectivamente responsáveis por Noscado e Yanbarberick. E depois? Depois, um grandessíssimo nada. Gigantesco como um elefante mirado pelas lentes de um binóculo. Estes três elementos, simplesmente extinguiram-se por linhas superiores. E pasmem, os três, descendiam daquele que era a coqueluche do momento, Bois Roussel.
Lembro-me de dois outros importados da tribo Bois Roussel, via seu filho Tehran; Kameran Khan e Jour et Nuit III. O primeiro, sediado no haras Ipiranga produziu a Itamaraty, cujo filho Grandote aproveitado em um haras de pequeno porte, foi ainda capaz de produzir a Nick de Mestre. O outro, lidimo ganhador do Prix d’Ispahan, Jean Prat, Eugene Adan e Guichê, além de segundo colocado na Poule d’Essai dês Poulains para Neptunus, foi ainda capaz de gerar a um cavalo chamado In Command, pai de Blessed Trust e sob suspeita igualmente pai de Riadhis, um dos melhores cavalos que vi correr em território nacional, que mesmo pouco aproveitado reprodutivamente, foi o responsável pelo aparecimento de El Astral.
E tudo se foi ralo abaixo!
E o pior de tudo: a coisa vem se repetindo ano, apos ano. Seria esta a forma mais sensata de continuarmos a conduzir nossa criação? Penso que não.
O que fizeram com os filhos de Ghadeer e Clackson recentemente, sem dúvidas dois dos maiores reprodutores de nossa história moderna, poderia ser taxado no mínimo de criminoso. UM VERDADEIRO DESCRÉDITO PARA COM O QUE É NOSSO. Seria como – guardadas as devidas proporções - os japoneses abandonassem os filhos de Sunday Silence e os britânicos os de Sadler’s Wells, em prol dos importados de menor valia.
Podemos manter em voga o reprodutor nacional, o abastecendo de sangue importado. Mesmo sofrendo a pressão dos idiotas, louvadores de detração do óbvio, por óbvias razões.
Clackson foi fenômeno. Romarin e Redattore estão acima da média. Durban Thunder, Mastro Lorenzo e Hard Buck, já em suas primeiras gerações, soltaram aquelas fagulha típicas e capazes de iniciar um incêndio. O que estamos nos esperando? Pela redescoberta da pólvora? Porque não darmos mais chances aos citados e a ele somarmos, por exemplo, um Top Hat ou outro qualquer que tenha demonstrado similar valor em pista?
Até quando nos manteremos nesta política biltre de desvalorização e do 
total infundado descrédito pelo que melhor podemos produzir?

Renato Gameiro


A importância na formação de linhagens masculinas próprias é fundamental inclusive para se ampliar o interesse do mercado estrangeiro ao cavalo nacional e possibilitar a exportação de filhos ou netos paternos de garanhões que como corredores foram importantes mas que em um primeiro momento não corresponderam em suas origens na reprodução e foram descartados. Com a fragilidade de nossa moeda aliada a hipódromos agonizantes por questões diversas as recentes vindas em shuttle de animais como Roderic O'Connor, Rock of Gibraltar, Holy Roman Emperor entre alguns outros se torna hoje impensável, infelizmente também foi trazido em shuttle alguns garanhões sabidamente fracos e com estruturas genéticas questionáveis que acabaram não dizendo ao que vieram, pelos mesmos motivos a importação definitiva de animais padrão Yagli é muito difícil e a opção pelo excelente nacional na reprodução seja o mais racional, mas o que se observa é o criador brasileiro voltar ao velho hábito de importar para garanhão animais com padrão em pistas abaixo da crítica; recentemente foi importado com status de "popstar" cavalo para reprodução que em 3 apresentações foi décimo colocado em 13, terceiro em 7 mais um último em 10, todas provas em hipódromo de segunda linha e esperar que refinado matungo confirme na reprodução invejável pedigree, o inferno do PSI está cheio de belos pedigrees... mas vamos aguardar que éguas de primeiro time aliadas a condições excepcionais de criação ajudem a solene pangaré, afinal Earldom e Tumble Lark existiram, se bem que esses dois pelo menos foram ganhadores.

Penso também que a priorização em nossa criação seria utilizar o excelente nacional como reprodutor e ir "temperando" nosso estoque genético com a importação de fêmeas de régias linhagens, o que convenhamos é muito mais alcançável financeiramente do que importar cavalos de real categoria em pistas para a reprodução.

En passant, Setembro Chove com seus 17,4%, Redattore com 12,5% e Romarin com 11,3% de filhos ganhadores e colocados Black Type são exemplos do bom garanhão nacional explorado em forma correta.


Como nessa postagem "usei" muito Renato Gameiro finalizo perguntando: E aí seu LuiZ?

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Desejado Thunder





Desejado Thunder, castanho, RS, 2007, Durban Thunder em Glourious Magee por Spend a Buck criado no Haras Bagé do Sul pelo Stud Alvarenga e  propriedade do Haras Ponta Porã, com toda certeza um dos melhores velocistas brasileiros de todos os tempos é dono de brilhante e consistente campanha, tendo disputado 21 provas com 15 vitórias, 4 segundos, 1 terceiro e 1 quarto lugar nunca se descolocando, possuindo além linhagem de primeira grandeza que o credencia plenamente para a reprodução. Seu pai Durban Thunder, dono de físico poderoso e régia filiação foi arrematado no leilão Top Classic de 2003 por R$ 564.000,00; garanhão de interessante sucesso na reprodução, provavelmente o direcionamento de seus cruzamentos para o brilhantismo nos tenha impedido de observar alguns de seus filhos alçar vôos mais altos em outras distâncias, foi um cavalo em pistas que pode ser considerado como além do muito bom padrão e na minha opinião só não atingiu o estrelato dos corredores gigantes brasileiros por questões relacionadas a escolhas no planejamento de sua campanha, apresentado no Brasil em 3 oportunidades manteve-se invicto, sua vitória no GP J. Adhemar de Almeida Prado – Taça de Prata, G1, é considerada como a mais fácil na história da prova, correu nos EUA e Dubai em mais 4 oportunidades e venceu 2, sua mais expressiva vitória no exterior foi na milha da importante Kentucky Cup Turf Dash Stakes, prova com U$ 100.000,00 de bolsa. Seu avô materno Spend A Buck se apresentou como um corredor de extrema categoria e reprodutor de enorme sucesso, sua mãe Glorious Magee pertence a interessante linha baixa que vêm produzindo com regularidade nomes de valor que freqüentam com assiduidade provas de grupo, entre esses além de Desejado Thunder destacou-se recentemente Voador Magee com sua vitória no GP Brasil e segunda colocação no GP Cruzeiro do Sul, podem ser destacados entre bons confirmadores dessa linhagem Our Magee (GP Nestor Jost), Famous Magee (GP 29 de Outubro) e Hommage A Rô (GP Edmundo Pires de Oliveira Dias).

Durban Thunder.



Desejado Thunder no GP Major Suckow.




                                                      Campanha

2009

2 anos

1. Prova Especial Atualpa Soares, 1100 metros, AP, Rio de Janeiro,

2010

2 anos

1. Clássico Hernani Azevedo Silva, L, 1200 metros, AB, Rio de Janeiro,
1. Clássico José Calmon, L, 1300 metros, GM, Rio de Janeiro,
4. Grande Prêmio Mário Azevedo Ribeiro - 1ªEtapa da Copa 2 anos de Potros, G3, 1400 metros, GB, Rio de Janeiro,
1. Prova Especial Sabinus, 1000 metros, GP, Rio de Janeiro,

3 anos

1. Grande Prêmio Cordeiro da Graça, G2, 1000 metros, GB, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Major Suckow, G1, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Adhemar de Faria e Roberto Gabizo de Faria, G3, 1000 metros, GB, Rio de Janeiro,
2. Grande Prêmio Proclamação da República, G2, 1000 metros, GF, São Paulo,

2011

3 anos

1. Clássico São Francisco Xavier, L, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Clássico Jockey Club de São Paulo, L, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Associação dos Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Rio de Janeiro, G3, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Associação Brasileira de Criadores e Proprietários do Cavalo de Corrida, G1, 1000 metros, GF, São Paulo,
1. Grande Prêmio Velocidade, G3, 1000 metros, GM, São Paulo,

4 anos

2. Grande Prêmio Major Suckow, G1, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro
1. Grande Prêmio Adhemar de Faria e Roberto Gabizo de Faria, G3, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
3. Grande Prêmio Nestor Jost, G3, 1200 metros, AB, Rio de Janeiro,
1. Clássico Dia da Justiça, L, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,

2012

4 anos

1. Clássico São Francisco Xavier, L, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
2. Clássico Associação dos Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Rio de Janeiro, L, 1000 metros, GM, Rio de Janeiro,
1. Grande Prêmio Jockey Club de São Paulo, G3, 1000 metros, GB, Rio de Janeiro.


O Haras Ponta Porã deve ser parabenizado por prestigiar o excelente cavalo brasileiro na reprodução, o que evidentemente não o impede em também explorar o serviço de bons garanhões estrangeiros, demonstrando assim um visão global do turfe onde o que interessa é a qualidade e não apenas a nacionalidade, é um campo de criação que se destaca como um dos mais importantes haras brasileiros e seguramente é a referência nacional no quesito brilhantismo. Desejado Thunder apresenta logo em sua primeira geração ao muito bom velocista Thunder Cat, 1. GP Cordeiro da Graça. G2, 1000 metros, 1. GP J Adhemar e Roberto Gabizo de Faria, G3, 1000 metros, 1. GP ABCPCC-Velocidade Mario Belmonte Moglia, G3, 1000 metros, 2. GP Major Suckow, G1, 1000 metros; como reprodutor pode com toda certeza ser explorado em amplo universo de cruzamentos, mesmo em wing patterns.